quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Idolatramos atacantes, mas jogar na defesa exige mais

Quando surge a pergunta "qual o maior jogador de futebol de todos os tempos?" Pensamos, resumidamente, entre Pelé e Maradona. Atualmente há quem acredite que Messi, Ronaldo ou Ronaldinho mereçam este título, mas como amante do futebol e peladeiro acho terrivelmente mais difícil jogar na defesa que no ataque.

Certamente se você joga futebol nos finais de semana ou até mesmo Fifa online 11 contra 11 você tende a querer jogar no ataque porque é muito mais fácil de se consagrar.

Não estou levantando a bandeira para nomear Backenbauer ou Baresi como os maiores jogadores de futebol da história. Mas podemos rever nossos conceitos do que define um bom jogador de futebol.

Jogar sem bola exige mais inteligência
Qualquer peladeiro fica muito mais à vontade com a bola no pé do que ficar na marcação. Claro! Com a bola no pé basta uma ginga, um passe ou um chute bem feito para ser "um craque". É muito mais difícil roubar a bola, se antecipar, antever uma jogada, estes último não te consagram como "o craque do jogo". Ainda que faça essas últimas coisas dezenas de vezes por jogo.

Atacante erra mil, acerta uma e é insubstituível
Quantas vezes você já ouviu falar que sicrano ou fulano "pode parecer sonolento, mas basta uma chance para marcar". Se um atacante erra dez chutes e faz um gol, pronto! Pode ser o herói do jogo. "Inigualável, imprevisível, não pode ficar de fora".

O cara que tem média de meio gol por jogo "é seleção". Ou seja, se em vinte chutes (mais ou menos) acertar um já é craque.

Defensor acerta mil, erra um e vira bandido
Em contrapartida, quantas vezes um zagueiro faz um jogo exuberante, mas comete um erro e se torna "responsável pela derrota, vilão". Se um defensor rouba dez bola, intercepta dez passes e antecipa dez jogadas, mas erra um corte, ou não acompanha o atacante uma única vez, pronto! "É por essas e por outras que não é confiável. Ainda precisa aprender muito".

Imagine um atacante que tenha média de evitar meio gol por jogo... Seria ridículo.

Dois pesos duas medidas
O fato é que exigimos muito mais dos pobres  defensores que dos atacantes, mas quando jogamos nossas peladas, todos queremos nos consagrar jogando no ataque. Convenhamos, é bem mais provável, mais fácil, sermos reconhecidos como "craque" fazendo gols do que evitando-os, embora evitá-los exija muito mais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Globalização deixa o futebol mais chato

Os avanços da tecnologia tornam possível que eu assista e acompanhe jogos de futebol do mundo todo, o que era impossível na minha infância. Mas agora, é tarde demais. Pois a globalização tem tornado o futebol, mais chato, pois está mais homogêneo. Não existe uma escola africana, outra inglesa e outra colombiana.

Quando falamos de seleção então, a diferença é quase zero. Talvez, a maior diferença, por enquanto, seja a arbitragem, mas o futebol jogado é quase o mesmo.

Se antigamente era interessante ver os jogos de Camarões ou Nigéria. Hoje é tão empolgante quanto ver jogos da Polônia, Coréia ou Paraguai.

Nesta última rodada das eliminatórias, percebi que os esquemas táticos e formas de jogar são bem semelhantes em todos os continentes.

Campeonatos nacionais
Pela Tv a Cabo, ou pela internet, acompanho campeonatos nacionais de todos os continentes, e percebo que as maneiras de jogar estão muito parecidas.

Claro que os principais campeonatos europeus apresentam jogos de maior qualidade técnica, pela força econômica dos clubes, mas são clubes "globais". O Barcelona, por exemplo, certamente são possuiria a mesma qualidade sem Dani Alves ou Messi.

Lembro-me quando podíamos identificar a alegria africana, a obstinação européia e a técnica sul-americana claramente entre as seleções.

domingo, 9 de setembro de 2012

F1 - Ceder posição é legal, mas é moral?

Não sou profundo entendedor do assunto F1, mas é um esporte que procuro acompanhar e entender. Ainda mais neste ano, que teve um início tão empolgante.

No entanto, ainda tem uma prática tão comum que me incomoda muito. Parceiros da mesma equipe cedendo lugar um para o outro em vantagem de um deles na disputa pelo título. Pilotos se tornam marionetes nas mãos dos engenheiros de equipe.

Não me lembro se esta prática sempre foi ocorreu ou se isso é um fenômeno mais recente, mas que eu acho uma palhaçada eu acho. Se fosse no futebol, haveriam opiniões e debates em todas rodas e programas esportivos. Seria mais fácil formar uma opinião e me apoiar em especialistas.

Ética e legalidade
Basta lembrar que existe uma diferença muito grande entre legalidade e moralidade. Nem sempre o que é legal é moral. Um texto muito bacana sobre o assunto foi escrito pelo professor Luiz Martins.

Legalidade se restringe puramente a seguir os mandamentos, os regulamentos. Já a questão ética é muito mais profunda, refere-se a um comportamento ideal do ser humano.

Vamos transpor ao futebol, para ficar mais claro. A tal da "mala branca" pode ser um bom exemplo. Oferecer dinheiro para um time diferente vencer o adversário - você está incentivando que um time faça a sua obrigação - é uma questão delicada. A maioria, para não dizer todos, dos jornalistas são contra a prática da mala branca.

Ora, facilitar a vitória de outro atleta, mesmo que da mesma equipe, é tão diferente assim? Particularmente, acho que não. Você está induzindo um resultado que não seguiria o correto desempenho técnico daquele dia. Se fulano se empenhou para chegar em terceiro, que chegue em terceiro, e não abra passagem para que um companheiro chegue na sua frente, para que o time ainda possa conquistar o título.

Podem pensar que estou revoltado por se tratar de um piloto brasileiro, mas acho este comportamento contra o ideal esportivo. Se algo parecido acontece nos jogos olímpicos, certamente renderia "pano pra manga".

Enfim, se tenho me empenhado para acompanhar a F1, espero que atitudes como a deste domingo não me desanime.

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